O tema é ciúmes

Profissional: Andrea Lorena


Especialista tira dúvidas de telespectadores e internautas

28/03/2016 09h52 - Atualizado em 15/04/2016 14h07

No estúdio, Sandra conversou com a psicóloga Andrea Lorena. Ela tirou dúvidas de telespectadores e internautas sobre o ciúme. Clique aqui para assistir à entrevista.

Pergunta: Ana Paula

Bom dia. Meu nome é Ana Paula e tenho um filho de 15 anos. Tenho um relacionamento de 3 anos e há algum tempo meu filho tem ficado agressivo e demonstrado muita raiva quando percebe que passamos a noite juntos ou quando ficamos no meu quarto. Esse comportamento é normal? Como devo agir? Obrigada.

Resposta: Ana Paula, este comportamento é normal. O ideal é deixar claro para seu filho, tanto através de diálogos quanto de comportamentos, que o ama, porém de maneira diferente que ama ao seu parceiro. Reservar um tempo só para ele também ajuda.

Pergunta: Andrea Laranjeiras
Bom dia! Doutora Andrea, gostaria de saber como devo fazer para voltar a não ser tão ciumenta como estou agora. Na verdade, meu esposo andava muito estranho e eu acabei descobrindo conversas paralelas no WhatsApp dele com outras mulheres, já faz uns 10 meses o ocorrido, mas após tudo isso, ao ver ele muito tempo no celular já penso que esteja fazendo tudo outra vez, mesmo eu tendo o perdoado e ele dizendo que nunca mais isso irá se repetir. Só que agora sempre fico com uma sensação ruim ao observá-lo muito tempo no celular. Obrigada.
Resposta: Oi Andrea, que tal tentar questionar-se sobre o que te fez perdoa-lo e os motivos pelos quais estão juntos, ainda tentar restabelecer a confiança no relacionamento. Neste momento, buscar ajuda como terapia de casal pode ajudá-los.

Pergunta: Roberto Ferreira dos Santos
O que fazer quando surge ciúmes sobre pessoas do passado do seu par?
Resposta: Roberto, o ciúme do passado segue as mesmas regras do ciúme "presente". Portanto, questionar-se sobre o que está causando o ciúme pode ajudá-lo a entender melhor e traçar comportamentos mais assertivos no relacionamento.


Pergunta: Sheila Ferreira Rodrigues
Eu tenho ciúme, mas eu não quero sentir, não desse jeito que eu sinto. Às vezes, eu acho que isso é posse. Ou às vezes o que influenciava eram os namorados que eu escolhia. Mas então eu quero tratar isso agora que estou solteira. Como eu faço?
Resposta: Oi Sheila, te aconselho a buscar ajuda profissional de um psicólogo. Vai te ajudar muito! Psicólogos nos ajudam quando estamos com sofrimento emocional.

Pergunta: Paulo Jabur Maluf
Tenho uma filha muito amada, porém muito ciumenta. Ela é o segundo filho. O primeiro filho é um menino. Quando está sozinha comigo, ou sozinha com a mãe ou com o pai e a mãe juntos ela fica muito bem. Mas o convívio com os irmãos é sempre de descontrole e brigas. Ela tem 13 anos, o primeiro irmão 15 anos e mais dois irmãos de 8 e 6 anos. Ela é a única menina e pede toda hora para ter uma irmã. Como devo proceder para diminuir os ciúmes e melhorar o relacionamento familiar?  Existem momentos de harmonia. Obrigado, Paulo.

Resposta: Paulo, tente fazer atividades em grupo, onde você possa desenvolver o senso de equipe. Mostrar com atitudes que ama a todos iguais é uma boa alternativa.

Pergunta: Alessandra
Bom Dia! Uma situação bastante comum hoje em dia é os casais que se formam, trazendo filhos de outros relacionamentos. É comum, principalmente no inicio, que a criança tenha ciúmes do seu pai ou mãe com o novo parceiro. Como agir sendo o novo parceiro diante dessa situação? E no caso do enteado ou enteada ser adolescente, filha única de pai viúvo? Como agir?
Resposta: O ideal é que a inserção do novo parceiro seja feita de maneira devagar e progressiva para a criança ou adolescente ir se acostumando com a presença da nova pessoa. Programas juntos ajudam nesta convivência.


Pergunta: Luciana Rosa de Melo
Olá Sandra! Tenho 34 anos e sou casada com um homem de 55 anos. O problema é que não posso ter amizades com homens. Isso só pode acontecer se a pessoa também for amigo dele. O ciúmes é tão grave que não posso nem ter um momento de lazer com amigas fora do condomínio, tipo shopping ou festas só entre mulheres. Isso está acabando com nossa relação. Parceiro muito pegajoso está me sufocando!
Resposta: Luciana, tente expor como se sente ao parceiro. Terapia de casal pode ajudá-los.

Pergunta: Adriana Gomes
Namorado antigamente não usava senha no celular, de uns meses pra cá, colocou senha, desliga o celular com desculpa que está descarregado, não empresta para fazer ligações. Para o ciumento são pistas ou está imaginando coisas.
Resposta: Adriana, depende da interpretação que você faz das situações. Que tal conversar abertamente com seu parceiro?

Pergunta: Pedro Benevenuto Neto
Como nasce e o que é o ciúme?
Resposta: Pedro, ciúme é um zelo, necessidade de cuidar daquilo que a pessoa tem como valioso. Quando exagerado, traz prejuízos para a relação e acaba sufocando as partes envolvidas. Tem seu desenvolvimento desde a infância.

Deborah Secco está rápida demais? Muita ansiedade pode atrapalhar alegria da mulher na gestação

Profissional: Ana Carmen Oliveira


Relógio biológico e gravidez na adolescência são fatores que desencadeiam esse quadro.

29/6/2015 às 00h05 (Atualizado em 1/7/2015 às 22h41) - Juliana Zorzato, do R7

Médicos recomendam esperar os três meses de gestação para dar a notíciaGetty Images

Desde a descoberta da gravidez, boa parte do tempo da atriz Deborah Secco tem sido dedicaco à maternidade. O anúncio público se deu nos primeiros dias de gestação, e logo começaram a aparecer presentes, visitas a lojas especializadas e um chá de bebê. A atriz está esperando Maria Flor, sua primeira filha, e a gravidez acaba de ultrapassar os primeiros três meses. 

A atriz quebrou sem receios uma das tradições mais comuns, que é as futuras mamães esperarem o fim do primeiro trimestre de gestação para anunciá-la. Mas, afinal, precisa mesmo esperar?

Para os especialistas, não existe regra. A expectativa de gerar um filho pode trazer ansiedade em toda a mulher. Se for a primeira gestação, é ainda mais comum.

Apesar das mudanças de comportamento, não há indícios científicos de que a ansiedade da mãe possa afetar o bebê, mas é importante ficar alerta aos sintomas, porque um quadro de grande ansiedade pode privar a mulher de curtir a sua gestação.

De acordo com a professora do departamento de ginecologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Rita Dardes, determinados fatores podem contribuir para algumas mães serem mais ansiosas que as outras. No caso de cobranças por causa do relógio biológico, de uma gravidez não planejada ou gravidez na adolescência, o quadro pode ser maior.

Para ela, o primeiro sinal dessa ansiedade é sair contando sobre a gravidez antes dos primeiros três meses.

— Existe um risco natural de aborto em 30% dos casos. A recomendação médica é contar para os amigos e familiares depois do terceiro mês. O grande problema neste caso, é lidar com a própria frustração e com a expectativa dos outros.

Outro problema é deixar que a ansiedade excessiva prive a mulher de curtir a gravidez. Para a dra. Poliani Prizmic, ginecologista e obstetra na clínica Dr. José Bento, mulheres que ficam muito ansiosas "não curtem a gestação".


— Na ânsia de saber se o feto está bem, a paciente sempre acha que está faltando algum exame, está sempre insatisfeita. Isso prejudica o pré-natal porque não se estabelece uma relação de confiança com o médico.

Dra. Poliani conta, ainda, que em quadros como esse, há mulheres se ferindo com beliscões e arranhões, com dificuldade para dormir, problemas no trabalho por conta da irritabilidade e, por fim, no relacionamento com o companheiro, que começa a ficar difícil, já que o parceiro não reconhece mais quem está ao seu lado. O tratamento é necessário, já que esse quadro psiquiátrico é favorável para uma depressão pós-parto. 

Deborah Secco ganhou chá de bebê para a filha Maria FlorReprodução/Instagram

Mas dá para controlar a ansiedade? 

Atividade física, evitar alimentos com cafeína, terapia, medicação, acupuntura e suplementação de vitaminas são algumas das dicas dadas pelas especialistas ouvidas pelo R7. Além disso, a psicóloga e doutora em ciências do comportamento Ana Carmen Oliveira acredita que a informação seja um fator determinante para amenizar a ansiedade, já que a mulher está entrando em um universo desconhecido. 

— São muitas mudanças, físicas, hormônios, a vida muda, a rotina muda. Essas mudanças trazem medo, porque a mulher não sabe o que vai acontecer. Mesmo em uma gravidez desejada, é importante saber o que está acontecendo.

Grupos de apoio e o suporte do parceiro são fundamentais para reduzir a ansiedade. De acordo com Fernando Fernandes, médico psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), a falta de suporte familiar ou social também influencia para esse quadro. Além disso, Fernandes alerta que, mesmo não havendo evidências de que o comportamento das crianças pode ser afetado por ansiedade da mãe na gravidez, a criança que se desenvolve em um ambiente constantemente ansiogênico pode ser moldada por ele.

As pedrináticas pira

Profissional: Marina Monzani da Rocha


07 Fevereiro 2015 | 16h 00 - Atualizado: 06 Fevereiro 2015 | 23h 18 - Juliana Diógenes - O Estado de S. Paulo

Sentado num banco às 2 da madrugada, funqueiro de 12 anos mal alcança os pés no chão. Mas canta: ‘Ajoelha! Se prepara! E faz um b#@%+* bom!’

 

 

MC mirim. Só nesse sábado, shows em sete casas diferentes

MC mirim. Só nesse sábado, shows em sete casas diferentes

 

 

 

 

 

“Salve, salve, nação corintiana!”, cumprimenta com um berro no microfone um dos produtores de MC Pedrinho. Já passa de 2 da manhã de quinta-feira, e o dia (ou seria a noite?) mal começou para Pedro Maia Tempester. Lá vem ele, de boné de aba chata, saracoteando entre os manos e as minas em uma casa de shows de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo. Com menos de um metro e meio de altura, franzino, facilmente atravessaria a multidão sem ser percebido, não fosse ele o MC mirim mais famoso das quebradas paulistanas, com clipe de 20 milhões de visualizações no YouTube, contrato com gravadora e caderno escolar com sua foto na capa à venda nas boas casas do ramo. É Pedrinho aparecer que as pedrinática pira.

 

Tal qual um lutador de boxe a caminho do ringue, surge escoltado. À frente, vai um dos produtores, moletom preto e boné com brasão de time de futebol americano. Atrás, a mão do dançarino da equipe fincada no ombro magro de Pedrinho. Estrela que é estrela não chega, acontece. Causa frisson, provoca euforia. E não é diferente com o garoto de cabelo platinado, aparelho nos dentes e olhos verdes, famoso por canções de fazer corar o capeta. “Dom, dom dom, dom dom dom, dom / Ajoelha! / Se prepara! / E faz um boquete bom”, diz uma delas. “Como é bom transar com a puta profissional / É piroca encaixando na xota e saco batendo na bunda”, diz outra. 

 

Pedrinho tem 12 anos.

 

Por causa do “teor erótico” das composições do funqueiro, a Justiça proibiu o show de MC Pedrinho em Fortaleza, agendado para o fim de semana passado. “As músicas fazem apologia à bebida alcoólica e desmerecem a mulher, que é colocada como objeto sexual”, justificou o promotor Luciano Tonet, da 6ª Promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público do Ceará, que assinou a ação civil pública pedindo o cancelamento da apresentação. Mas não foi a única preocupação de Tonet. Segundo ele, os shows noturnos podem causar prejuízos psicológicos ao desenvolvimento do funqueiro paulista. Além disso, o Ministério Público cearense entendeu que danos podem ser causados se o cantor “servir de modelo” para os fãs mirins. “Você escuta MC Pedrinho, no diminutivo, e à primeira vista parece inocente. Coisa de menininho, criancinha. Mas os pais nem fazem ideia do teor das letras.” O promotor encaminhou um ofício ao Ministério Público de São Paulo solicitando um acompanhamento de como Pedrinho está sendo cuidado e criado. A ideia é que os shows sejam proibidos em todo o território brasileiro, explica Tonet. “Está havendo um incentivo para que ele continue a fazer shows. Mas o desenvolvimento psicológico da criança vai muito além do lucro que proporciona à família.”

 

Na casa de shows em Carapicuíba está tudo pronto para a apresentação de Pedrinho, que, todos já sabiam, só começaria depois do jogo de estreia do Corinthians na Libertadores. Ao apito final do árbitro na TV, a moçada urra em uníssono à saudação do produtor que finalmente sobe ao palco. A casa recebe cerca de 200 pessoas nessa madrugada. Numa contagem rápida, são mais ou menos três mulheres para cada dez homens, com adolescentes no meio. Boné, moletom Adidas, camisa de time e tênis Nike vestem os rapazes. Pontilham pelo salão afogados em baldes de gelo, rótulos dourados de garrafas de uísque Red Label e latinhas de cerveja. Mais de um princípio de briga é contido pelos seguranças da casa. No banheiro feminino, um grupo de meninas aspira lança-perfume.

 

Pedrinho boceja, alheio aos gritinhos estridentes das fãs. O MC está desconfortavelmente recostado em um banco comprido na área reservada. De tão miúdo, mal consegue encostar os pés no chão – eles balançam infantilmente no ar e por um instante fica claro do que se trata: um garoto. O público se amontoa de repente. O menino criado na Vila Maria, zona norte de São Paulo, caçula de quatro irmãos e filho de uma ex-empregada doméstica que após seu sucesso virou dona de casa, recolhe as pernas e apoia os tênis de cadarço verde-fluorescente no assento. Fãs tão jovens quanto ele disputam a fileira da frente. Pedrinho tira o boné e o segura entre as mãos à frente do corpo franzino. Absorto, olha para o nada. Não sorri e tampouco interage com a meia dúzia de pessoas que pagaram mais caro pelo camarote anexo à lateral do palco. Fazer tipo, representar o bad boy cheio de enfado faz parte do show da vida do moleque.

 

O produtor anuncia MC Pedrinho, com ênfase no “iiiiinho”, que se alonga, e a histeria é geral. Um dançarino invade o palco e requebra ao som de um mix que repete “bumbumbumbumbum”. Ele prepara a entrada para a estrela da noite. Pedrinho enfim se levanta, tira uma selfie com dois fãs na lateral, mais uma com um membro do staff da casa e entra no palco. “Vai!”, diz Pedrinho ao microfone, com o braço fino marcando a batucada. “Vai começar!”, continua, sacudindo um relógio grande que imita ouro. De moletom cinza, bermuda e meias até o meio da canela, ele começa a cantar: “Te prepara que eu vou te botar. É só uma entrada que o Pedrinho vai te botar”. Aos gritos, os fãs acompanham, repetindo as frases. Ele deixa que o público cante e prossegue: “Tu fala que é maldosa, quero ver tu aguentar. Na primeira enfiada, tu vai pedir pra eu parar, mas eu vou continuar”.

 

Notícias dão conta de que a produtora de Pedrinho ganha, por show, R$ 5 mil. A estimativa mensal seria de R$ 300 mil, o que não pôde ser confirmado pelo Aliás. Na agenda de MC Pedrinho da semana passada estavam marcados 19 shows. Somente ontem, sábado, havia apresentações previstas em sete locais diferentes. O show em Carapicuíba durou pouco mais de 20 minutos, tempo de Pedrinho cantar seis músicas, entre elas Dom Dom Dom, com a qual estourou no YouTube. O número de visualizações do clipe ultrapassa os vídeos de artistas como o rapper Emicida, com até 5 milhões, e se aproxima dos 22 milhões de plays no hit Hoje, da MC Ludmilla. Com o vídeo, o garoto já alcançou a metade de visualizações de País do Futebol, do MC Guimé – cantor do mesmo estilo funk ostentação de Pedrinho – com participação de Emicida e pontinha de Neymar. 

 

No show, o funqueiro intercalou as músicas com longos goles de água e chegou a fazer, para a produção, um sinal com a mão de que a garganta incomodava. Até se esforçava para manter a pose de marrento na maior parte do tempo, mas a comparar com outros shows no YouTube, parecia menos disposto. Em julho de 2014, numa apresentação também em Carapicuíba, o garoto animava o público berrando “dá um gritinho as virgens” e “dá um gritinho quem vai levar o Pedrinho pra casa hoje”. No show dessa semana, as pedrináticas tentaram tocar o MC mirim várias vezes, mas um produtor sempre chegava para pedir que parassem.

 

Finalizada a apresentação, o garoto tocou a mão de algumas fãs mais próximas do palco e escapuliu rapidamente, sem estardalhaço e sem bis. As meninas correram para a área reservada, esvaziando a frente do palco, e o segurança impediu qualquer tentativa de foto, beijo ou autógrafo. Pedrinho deixou a casa minutos depois, de boné e capuz, com a mão do produtor no ombro, que afastou os ansiosos por uma selfie e acompanhou a passos rápidos o garoto até a saída. Eram 2h37. Desacompanhado dos pais, como estava Pedrinho, menor de idade numa casa de show a essa hora é proibido por lei.

 

“Durante o sono, um menino de 12 anos produz o hormônio do crescimento. Se ele está fazendo show às 2 da manhã, esse tipo de atividade afeta o desenvolvimento. Ele está acordado num período em que deveria estar dormindo”, explica a psicóloga da USP e pesquisadora de juventude, Marina Monzani. Considerado um adolescente pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, Pedrinho não tem dimensão das consequências do que faz com essa idade, diz ela. “Toda a parte de controle de impulso e tomada de decisões vai terminar de se desenvolver por volta dos 21.”

 

A produtora GR6 Eventos, responsável pela construção de MC Pedrinho, e a família do garoto foram procuradas, mas negaram os pedidos de entrevista. Marina Monzani defende a importância de acompanhar o caso para entender se o garoto está “sendo superexposto”, expressão que ela usa quase como – interpretação nossa – um eufemismo para “sendo direcionado” por adultos que estão mais preocupados com capacidade dele de fazer algum dinheiro do que com a infância que está deixando de ter. A psicóloga faz observações incômodas: “Por que ele canta esse tipo de música? Isso vem dele? De onde vem esse conteúdo erótico? Se ele fosse um pouco mais velho a realidade dele até poderia ser essa, de sexo, bebidas, noite. Mas, aos 12 anos, me parece cedo demais”.

 

Vai dormir, Pedrinho.

 

Medo de gente: a fobia social

Profissional: Cristiane Gebara


outubro de 2014 - Fernanda Teixeira Ribeiro
Cortesia de Cristiane Gebara

A psicóloga Cristiane Gebara, do Ambulatório de Ansiedade (Amban) da Universidade de São Paulo, submete paciente à terapia de exposição à realidade virtual: simulação permite vivenciar situações temidas, mas em um cenário fictício 
e controlável

O mais comum dos transtornos de ansiedade é a fobia social, ou ansiedade social, que afeta de 3,5% a 16% da população geral – os dados variam devido à metodologia e às amostras dos diferentes estudos. Os primeiros sinais costumam surgir ainda na infância. O psiquiatra Márcio Bernik enumera possíveis sintomas do transtorno nessa fase da vida, que devem ser examinados com cuidado. “Ansiedade de separação, uma preocupação exagerada em se afastar dos pais ou de que algo ruim aconteça com eles. Situações em que a criança fala somente na presença dos pais ou parentes próximos, recusa-se a ir para a escola ou manifesta sofrimento excessivo na véspera de provas ou competições esportivas.”

A fronteira entre a timidez excessiva e o transtorno é difícil de demarcar – basicamente, é necessário tratamento quando o receio de ser observado e avaliado pelos outros começa a causar sofrimento ou prejuízos em algum campo da vida, seja profissional, como a perda do emprego por evitar o ambiente de trabalho, seja pessoal, como a dificuldade em travar relacionamentos. “O fóbico social costuma ser monossilábico, econômico nas palavras. Isso é geralmente interpretado pelas outras pessoas como desinteresse. A pessoa com o transtorno tende, assim, a se isolar. Evita situações cotidianas nas quais pode se sentir constrangida, como comer ou escrever na frente dos outros”, diz Tito Paes de Barros Neto, psiquiatra e terapeuta do comportamento. Além disso, a ansiedade social está particularmente relacionada ao abuso de álcool e outras drogas que facilitam a interação social.

O tratamento da fobia social é feito com antidepressivos e terapia comportamental, que compreende estratégias como terapia de exposição e treino de habilidades sociais. O terapeuta simula em consultório situações que geram ansiedade – como incentivar o paciente a preencher um cheque na presença de outras pessoas e, principalmente, iniciar e manter conversas. A ideia é que a exposição repetida e prolongada diminui gradualmente a sensibilidade ao estímulo.

Realidade virtual

Mais recentemente, é possível contar com a tecnologia para o tratamento da ansiedade social. Na terapia de exposição à realidade virtual, o paciente vivencia, num cenário fictício e controlável, a situação que teme. Um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPQ-USP) analisou os efeitos da terapia de exposição à realidade virtual (ERV) não imersiva em 21 pessoas diagnosticadas com fobia social. Feita com imagens tridimensionais (3D) em monitores de computador , com o uso de óculos estereoscópicos e fones de ouvido, essa modalidade tem menor custo que a RV imersiva, que demanda o uso capacetes.

Assim, orientados pela psicóloga Cristiane Gebara, autora do estudo, cada participante interagiu com um programa de computador que apresentava várias simulações: desde caminhar na rua – e ser observado por transeuntes – e arriscar pedir uma informação até receber convidados em uma festa e discursar para todos em agradecimento, lidando com imprevistos, como um celular que toca e pessoas que cochicham. O tratamento se completou, em média, em sete sessões e o tempo de habituação aos estímulos foi de cerca de 20 minutos. A média de redução dos sintomas de ansiedade social foi de mais de 70%. A pesquisadora reavaliou os pacientes seis meses depois do fim do tratamento e constatou que a melhora se manteve. “A técnica de exposição à realidade virtual preserva a privacidade do paciente, o que aumenta as chances de ele aderir ao tratamento, que pode ser oferecido em consultório”, explica a autora.

(Saiba mais sobre o tema na Mente e Cérebro n. 261Ansiedade).

Muito medo e pouca culpa: a traição nos divãs de São Paulo

Profissional: Maly Delliti


Psicólogos falam como os paulistanos lidam com o adultério nos consultórios

Por: João Batista Jr., Luiz Henrique Ligabue, Nathalia Zaccaro e Daniel Bergamasco - 19/04/2013 às 19:01- Atualizado em 18/06/2013 às 15:27

Traição - Divã
"Compartilhar a senha do Facebook e do e-mail é tido hoje como uma das maiores provas de amor que se pode dar", afirma psicóloga (Foto: Ilustração: Negreiros)

Nos divãs de São Paulo, boa parte dos segredos dos pacientes a respeito de seus desejos e práticas sexuais demora várias sessões para ser revelada. O adultério, porém, passa longe dessa lista. “Em geral me contam logo quando levam vida dupla”, relata a psicóloga Maly Delitti. O peso na consciência e as demais questões éticas figuram em segundo plano ante os desabafos sobre o medo de ser pego. “A baixa tolerância à frustração dos dias de hoje, em diferentes áreas do comportamento, faz com que as pessoas estejam traindo mais”, acredita a psicóloga Denise Gimenez Ramos, com consultório em Perdizes. “Acham injusto se esforçar no próprio casamento enquanto há tantas histórias para viver.”

A diluição da culpa, entretanto, não significa pouco julgamento. Maly cita um exemplo recente. “A mulher traía, mas se justificava jurando que fazia aquilo ao se apaixonar, enquanto o marido infiel era um safado.” Quando há a descoberta da infidelidade, a bomba costuma pesar de modo diferente na autoestima do homem e na da mulher. As traídas querem saber se a outra é mais jovem e bonita. Para eles, a primeira pergunta é a seguinte: “O Ricardão me supera em dinheiro e prestígio?”. Diz a psicóloga Denise: “É comum que, ao descobrirem a infidelidade, elas corram para o dermatologista, pois se sentem feias. Já eles se vingam arrumando alguém de menos idade, mostrando que são poderosos”.

O perdão, avaliam, é possível quando quem pisou na bola convence o parceiro de que foi a última vez. Mas, uma vez abalada a confiança, o traidor em reabilitação precisa estar disposto a viver sob controle muito maior, o que obviamente não é fácil. “Em um tempo cheio de desconfianças, compartilhar a senha do Facebook e do e-mail é tido hoje como uma das maiores provas de amor que se pode dar”, afirma a terapeuta Eloisa Penna. 

 

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