Tecnologia 3D ajuda a superar timidez de brasileiros

Profissional: Cristiane Gebara


2012-09-24

Veja o vídeo da entrevista.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo, no Brasil estão testando um novo tratamento para o que especialistas chamam de "fobia social", aplicando tecnologia 3-D como ferramenta para o tratamento.

Todos sabemos que a internet veio para facilitar a vida dos mais tímidos quando a questão é relacionamento, mas nem todos têm coragem de seguir ao encontro físico, e recuam na hora H.

Mas pesquisadores da Universidade de São Paulo, no Brasil estão testando um novo tratamento para o que especialistas chamam de "fobia social", aplicando tecnologia 3-D como ferramenta para o tratamento.

Essa fobia, também conhecida como "transtorno de ansiedade social", cria medo intenso em situações sociais e pode causar um sofrimento considerável.

Segundo a Cristiane Maluhy Gebara, Professora de Psicologia da Universidade de São Paulo, o tratamento em 3D é mais simples e coloca os pacientes nas mesmas circunstâncias sociais como na vida real, com imagens tridimensionais produzidos por programas de computador em uma terapia de um ano.

De acordo com pesquisa realizada pela professora, cerca de oito milhões de brasileiros, quatro por cento da população total do país, sofrem diferentes graus de transtorno de ansiedade social, e oito por cento da população mundial é afetada por ele.

HC testa realidade virtual contra fobia social

Profissional: Cristiane Gebara


13 Julho 2012 | 08h19 - Atualizado: 13 Julho 2012 | 08h19 - MARIANA LENHARO - AGÊNCIA ESTADO

O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (IPq-HC) começou a testar este mês um tratamento inédito contra fobia social que usa como ferramenta terapêutica a realidade virtual.

Com um programa de computador que traz imagens em três dimensões, os pacientes se submetem virtualmente às situações sociais que mais lhes trazem desconforto: interagem com desconhecidos, participam de reuniões e até discursam diante de uma plateia dispersa. A fobia social afeta 8% da população.

A criadora do programa é a psicóloga Cristiane Maluhy Gebara, pesquisadora do IPq, que busca validar a eficácia da técnica em um grupo de pacientes. "Estamos aplicando em algumas pessoas, para aperfeiçoar esse programa e verificar se ele realmente consegue diminuir a ansiedade das pessoas", diz.

O desenvolvimento operacional do programa ficou a cargo de uma empresa especializada, que o concluiu sob as orientações de Cristiane. Ela explica que o trabalho tem como base uma das ferramentas da terapia cognitivo-comportamental (TCC): a técnica de exposição. De maneira geral, ela pode ser feita ao vivo, quando o paciente se expõe a situações reais que lhe provocam desconforto, ou na imaginação, quando o paciente, sob a orientação do terapeuta, imagina determinada cena e tenta controlar suas reações.

A ferramenta virtual permite que essa exposição se dê com um grau maior de realismo, mas no ambiente do consultório, ao lado do terapeuta. "A gente coloca a pessoa, passo a passo, na situação que ela mais teme, gradualmente: da que menos sente desconforto para a que mais provoca ansiedade. Depois que o paciente termina, percebe que a ansiedade declina conforme progride essa exposição", diz Cristiane. O programa todo consiste de 12 sessões de 50 minutos.

Além de orientar o paciente, o terapeuta também controla, por computador, as respostas dos personagens virtuais, que interagem com o fóbico. Cristiane alerta que, por isso, essa é uma técnica para ser aplicada em consultório e não em casa, com o paciente sozinho. Segundo a pesquisadora, mesmo se tratando de uma interação fictícia, ela provoca no paciente reações semelhantes às que ocorreriam na vida real. "O programa permite uma imersão naquele mundo."

As situações de interação social previstas vão desde uma caminhada em que o paciente se submete aos olhares insistentes de transeuntes, passando por um pedido de informação para um desconhecido, até a chegada a uma festa cheia de gente. Tratam-se de ocasiões comumente temidas pelos fóbicos.

Cristiane observa que, fora do País, a técnica da realidade virtual com fins terapêuticos já é bastante utilizada. Sua intenção foi adaptar o procedimento para o Brasil, barateando os custos e simplificando o equipamento, que consiste de um laptop, óculos 3D e um fone de ouvido. Ao final da pesquisa, caso a terapia se mostre realmente eficiente, a ideia é fornecer o programa a outros terapeutas e instituições interessadas em aplicar a técnica.

 

Sofrimento

A fobia social é caracterizada por um sofrimento excessivo em situações de interação social ou de desempenho. Alguns dos sinais mais evidentes são palpitações, sudorese e ruborização. Enquanto a grande maioria da população sente ansiedade quando tem de falar em público ou conduzir uma reunião - o que pode ser considerado normal - o fóbico sofre um verdadeiro prejuízo em sua vida pessoal e profissional por conta desses medos. Outras características típicas são o medo da avaliação negativa do outro, o medo de cometer um erro e a autodepreciação.

Quem tem os principais sinais de fobia social, com idade entre 18 a 65 anos e não apresenta outros transtornos psiquiátricos pode se inscrever para a seleção de voluntários para participar da pesquisa pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Tão perto, tão longe

Profissional: Maly Dellity


Pouca intimidade pode ser mais devastadora para o casamento do que a a ausência do sexo e da paixão

Sara Duarte e Valéria Propato

Alex Solletto

Jay, roteirista de tevê, 30 anos, e Susan, funcionária de uma editora de livros, são casados há seis anos. Faz algum tempo, o relacionamento perdeu o vigor. Há um mês eles não transam. Se conversam, é sempre para falar das crianças. Ele reclama que ela trabalha demais e não lhe dá atenção. Ela se queixa de que ele é incapaz de manter um diálogo. Essa noite, eles jantam calados. Na outra sala, os dois filhos pequenos assistem, sonolentos, a uma reprise de O Mágico de Oz. Entre uma garfada e outra, Jay lê o jornal. Susan, que sempre detestou vê-lo distraído durante as refeições, nem nota a provocação. Liga a tevê e põe os óculos para assistir à novela. Jay se surpreende com a mulher tão impassível. Justamente hoje, quando ele se preparava para iniciar uma briga e anunciar que está indo embora de casa! “Talvez seja melhor eu deixar um bilhete informando: ‘Cara Susan, não vou voltar. Quem sabe telefono amanhã à tarde. Ou faço uma visita num fim de semana’”, elocubra.

A cena foi extraída do romance Intimidade, do escritor inglês de origem paquistanesa Hanif Kureishi, e está sendo transformada em filme pelo diretor francês Patrice Cheréau (Rainha Margot). Apesar de ter sido fermentada pela imaginação do escritor, a história é reveladora e muito comum nos relacionamentos modernos. Mesmo dormindo juntos há anos, os casais podem sofrer de absoluta falta de intimidade. Deixam de dialogar porque um presume saber o que o outro está pensando. Algum tempo depois, a empolgação inicial cede lugar à indiferença e a uma convivência monossilábica. Pelos cálculos do IBGE, todo ano no Brasil um em cada sete casamentos termina em divórcio. De acordo com o último levantamento, feito em 1995, as mulheres se separam mais cedo, entre 25 e 34 anos. E os homens, entre 30 e 39 anos. Cerca de 70% dos rompimentos ocorrem após o décimo ano de casamento. Um dos motivos recorrentes, observado pela psicóloga Maly Delitti, da Clínica Psicológica da PUC de São Paulo, é a falta de comunicação. Dos dois mil casais que a procuraram para fazer terapia, pelo menos 80% chegaram ao consultório com essa queixa. “Depois de anos vivendo juntos, geralmente tem-se a pretensão de conhecer o cônjuge tão a fundo a ponto de não ser preciso nem falar o que se sente”, conta Maly. “Quando alguma coisa vai mal, cada um se fecha e fica esperando que o outro adivinhe o que se passa”, explica a psicoterapeuta.

André Sarmento
Sônia e Eduardo recorreram à terapia com a psicóloga Maly para aprender a se expressar

Pacientes de Maly, a paulistana Sônia Bindi Gomes, 37 anos, e seu marido, Eduardo Romão Gomes, 42, viveram essa experiência e viram seu casamento de 11 anos quase ruir. No início do romance, a sintonia era completa. Estudavam juntos na Faculdade de Educação Física, tinham os mesmos interesses. Até o dia em que ele começou a praticar esgrima e passou a recusar os programas de lazer com a família. Sentindo-se sozinha, Sônia chegou a ponto de dispensar a opinião do marido para tomar qualquer decisão. “Eu já previa as respostas dele e não queria conversar. Depois de tanto tempo, ele deveria saber o que eu pensava”, reclama Sônia. Eduardo se chocou quando ela pediu a separação: “Ela nunca deixou claro o que eu estava fazendo de errado”, espanta-se Eduardo. Depois de oito meses afastados, o casal decidiu reatar. E recorreu à terapia conjunta para resolver os problemas de comunicação. No tratamento, a psicoterapeuta Maly Delitti coloca Sônia e Eduardo frente a frente para conversar. Como duas crianças, eles estão aprendendo a expressar seus sentimentos sem rodeios.

Autor do livro Fear of intimacy (Medo da intimidade), o psicólogo americano Robert W. Firestone decreta que a principal causa para a falência dos relacionamentos amorosos é a falta de intimidade. Na opinião dele, transar bem, conhecer as preferências do outro e perguntar como foi o dia quando ele ou ela chega do trabalho está longe de refletir uma comunhão perfeita.

Ricardo Giraldez
Se achar a parceira ideal, Tironi promete largar a chuteira

Papo-furado – Embora hoje maridos e mulheres dialoguem mais do que no passado – quando elas cuidavam da casa e nem sequer sabiam o salário dos parceiros –, a maior parte das conversas, segundo Firestone, tem muito blablablá e pouca substância. Apela-se para o famoso chavão “precisamos discutir a relação”, mas nem sempre se expõe o que realmente se sente. “A intimidade surge quando as pessoas são capazes de se comunicar aberta e honestamente, dividindo não apenas carinho, mas segredos e experiências”, explica. Ser íntimo de alguém, ele ensina, é não ter receio de mostrar o que se é, até mesmo nos defeitos, medos e inseguranças.

O instinto de defesa, o individualismo, o medo de assumir compromissos, o excesso de trabalho e a falta de tempo são todos inimigos em potencial da intimidade, na avaliação do psicólogo. A repetição de modelos herdados dos pais também pode ser determinante. “A criança que cresceu sentindo-se rejeitada pela mãe, por exemplo, terá dificuldade em se abrir com o parceiro, com medo de ser machucada de novo”, analisa Firestone. Embora a tese seja baseada na realidade americana, onde 50% dos casamentos acabam em divórcio, ela também pode ser aplicada ao Brasil. Como a psicoterapeuta Maly, o psiquiatra paulista Moacyr Costa também tem visto muitos casos parecidos em seu consultório. “As pessoas estão trabalhando muito e se dedicando pouco à relação. Isso cria um vazio e uma falta de vibração no contato”, diz Costa.

 

Max Pinto
Os dois ex-maridos de Clélia não aceitavam o seu sucesso profissional

Fracasso – A empresária paulista Clélia Angelon, 51 anos, carrega no currículo dois casamentos desfeitos. O primeiro durou dez anos e o segundo, quatro. O que por muito tempo ficou martelando em sua cabeça é que as duas relações foram motivadas por uma atração incontrolável de ambas as partes. Por que deram errado, se existia a famosa química? Experiências digeridas, hoje ela está certa de que os relacionamentos desandaram porque faltou intimidade. Dona de uma bem-sucedida empresa de produtos de beleza, Clélia acha que os maridos nunca engoliram a sua independência e o seu êxito profissional. “Faltou intimidade para que eles se abrissem. Nenhum de nós falava sobre o que realmente incomodava. A gente se agredia, mas não ia direto ao ponto”, reconhece Clélia.

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Quando se casou, após seis anos de namoro, o publicitário Adriano Tironi, 29, queria continuar levando uma vida de solteiro. Não abria mão do futebol duas vezes por semana; investia todo o dinheiro extra em sua moto e se recusava a participar dos problemas familiares da mulher. Só percebeu que vinha agindo errado quando a união acabou, após 12 meses de casamento. “Fui individualista. Na próxima relação, tiro a tevê do quarto e desisto do futebol. Vou querer me dedicar à minha mulher”, promete. Solteiro outra vez, Tironi anda louco por um relacionamento maduro, com compromisso e entrega. Mas diz que as mulheres não querem envolvimento. “Depois que elas conquistaram a independência, não precisam da gente. Pensam primeiro no lado delas e não se prendem a ninguém”, reclama Tironi.

Claudio Gatti
Adriane diz que ver o namorado Gallo todo dia "acelera o conhecimento"

 

Busca – O desencontro parece insuperável. As mesmas queixas masculinas são repetidas pelas mulheres. A economista Viviane Ribeiro Félix, 29 anos, já apelou até para a internet em busca de alguém disposto a encarar um relacionamento sério, com todos os requisitos que o psicólogo Firestone prega. “Me correspondi com alguns, mas não deu certo. Os rapazes com mais de 30 anos e estabilidade financeira pensam duas vezes antes de se envolver. Está difícil confiar. Todo mundo quer curtir a vida, investir na carreira e ninguém tem tempo para o outro”, lamenta Viviane. O que ela e Adriano talvez desconheçam é que nem sempre ter os mesmos interesses do parceiro é garantia de sucesso na relação. “Os casais se relacionam pelo tesão, pelo contexto social, a casa na praia e o projeto de ter filhos juntos. Isso não é intimidade”, diz Moacyr Costa. O que ele quer dizer é que enxergar no outro um meio de realizar projetos pessoais pode piorar mais do que ajudar a relação. Para o psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor de RelacionamentoAmoroso da Universidade de São Paulo, as pessoas também estão pouco dispostas a demonstrar afetividade. “Vê-se o parceiro como mercadoria, um meio de ascensão. Não há disposição para um relacionamento baseado no amor, comprometimento e cumplicidade”, diz.

Sergio Castro/AE
Eduardo e Marta Suplicy dividem a campanha dela em São Paulo.

Outro equívoco que costuma acompanhar os casais é transformar uma paixão desmesurada na fantasia de ter encontrado o parceiro ideal. Pela lógica, um relacionamento com alguém de hábitos e gostos semelhantes tenderia a evoluir para a intimidade total. Mas nem sempre é assim. Em muitos casos a paixão atropela tudo. Movidos por ansiedade ou medo da solidão, muitos casais pulam etapas consideradas essenciais para se conquistar intimidade. Em vez de aproveitar o período de namoro para se conhecer melhor, pôr na balança semelhanças, diferenças e esquisitices, embarca-se logo no casamento – de papel passado ou não. Quem não se lembra do meteórico casamento de Adriane Galisteu e Roberto Justus? Num intervalo de um ano e um mês, a apresentadora e o publicitário se conheceram, se apaixonaram, casaram e se separaram. “Por causa do trabalho, eu mal via Roberto. Só quando moramos juntos, percebi o quanto éramos diferentes”, lembra ela. Apesar do final infeliz, Adriane, 27 anos, está disposta a repetir a experiência com o diretor de televisão Rogério Gallo, 33 anos, seu chefe na Rede TV!. O namoro começou no réveillon e, três meses depois, Adriane deu entrevistas falando em casamento. O romance continua embalado, e ela aposta que vai dar certo. “A gente trabalha junto e se vê todo dia, isso acelera o processo de conhecimento”, compara Adriane. Hoje ela acredita que a única diferença entre o namoro e o casamento é o papel.

Ricardo Giraldez
Viviane:"Está dificil confiar"

 

Névoa – Na opinião da sexóloga carioca Regina Navarro Lins, autora do livro Na cabeceira da cama, é justamente a paixão a maior inimiga da intimidade. “As pessoas hoje vivem se estranhando porque as relações são calcadas na mentira do amor romântico. Elas se entregam a uma imagem idealizada, enxergam o parceiro sob uma névoa e ficam tentando corresponder às expectativas do outro com medo de perdê-lo. Esse amor não resiste à intimidade”, radicaliza Regina. Segundo ela, a queixa mais comum entre os casais que trocam alianças é o desencanto. Depois que vão morar juntos, se decepcionam e aí vem o famoso lamento: “Ela não era assim.” Regina garante: “Era. Você que não percebeu.”

 

Os especialistas ensinam que o primeiro passo para a intimidade é o autoconhecimento e a sinceridade. Não é fácil. Após 35 anos de casamento, o senador Eduardo Suplicy e a ex-deputada Marta ainda se pegam discutindo por falta de atenção ou uma palavra mal-entendida. Ele mora em Brasília. Ela, em São Paulo. Mas um telefonema diário é regra. E falam de tudo. De filhos, trabalho, da última decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles se conheceram fazendo campanha no movimento estudantil – ele como aluno da Fundação Getúlio Vargas, ela do Colégio Sion – e a paixão pela política fez com que se tornassem íntimos. Consideram-se tão sintonizados que dividiram a campanha dela à Prefeitura de São Paulo. Marta adotou propostas do marido em seu programa de governo e Suplicy chegou a substituí-la em comícios na periferia da cidade. “Há muita afinidade e troca”, resume Suplicy. “Tenho um companheiro que está sempre perto para dividir os segredos mais íntimos sem temor”, assegura Marta. A intimidade, nesse caso, vale até na hora de pedir votos.
Colaborou Angela Oliveira

 

Aflições paulistanas: trabalho

Profissional: Maly Delliti


Com o aumento da preocupação com a carreira, o terapeuta passou a assumir o papel de um coach profissional

Por: Daniel Bergamasco - 03/08/2012 às 23:51

Capa 2281 - Aflições paulistanas - Trabalho
Além do escritório: os profissionais de hoje desejam uma melhor qualidade de vida (Foto: Ilustração: Negreiros)

Ao entrar no consultório da analista do comportamento Alice Maria Delitti, um oásis de silêncio em plena Avenida Faria Lima, boa parte dos pacientes prefere continuar ligada nas questões de seus escritórios. “Isso cresceu fortemente ao longo dos meus 34 anos de clínica. Antes, os relacionamentos amorosos pesavam mais no cotidiano”, lembra a profissional. Dois temas predominam nas conversas. Durante um bom período de tempo, os clientes querem discutir estratégias de carreira: desde se preparar melhor para lidar com o chefe até como se sair bem em uma apresentação. Tudo isso costuma resultar em maiores jornadas. Paradoxalmente, reclamam muito da carga horária extenuante, da falta de tempo para qualquer coisa, se somados os serões às horas presas no trânsito, e desejam uma melhor qualidade de vida.

A alguns quilômetros dali, na também pilhadíssima Avenida Paulista, o psicanalista Welson Barbato experimenta o mesmo fenômeno. “Tem muita gente vivendo um namoro com o próprio trabalho, nos momentos de satisfação ou insatisfação. O complicado desse foco é: diante da perda do emprego, o que sobra?”

Sexo é assunto de criança sim!

Profissional: Marina Monzani da Rocha


Samanta Dias

Assim como um bebê não deve ser alimentado com uma feijoada, as orientações sobre sexo dadas pelos pais aos filhos precisam estar de acordo com o desenvolvimento destes e com sua capacidade de compreensão. Não existe uma idade certa para tocar no assunto e mesmo na infância a sexualidade não deve ser ignorada.
 
 
Para falar de sexo com crianças, a coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Unifesp Ivete Gianfaldoni Gattás explica que o melhor é esperar a curiosidade aparecer.
 
"Devemos esperar que as perguntas surjam normalmente, não precisamos nos apressar ou adiantar em relação a isso. Em primeiro lugar, devemos responder à pergunta da criança, nem mais, nem menos, e é claro dentro de um linguajar próprio para cada idade, do entendimento do universo de uma criança e de sua fase de desenvolvimento", comenta a psiquiatra.
 
As perguntas podem começar por volta dos dois ou três anos de idade, quando a criança está explorando o mundo ao seu redor e depara-se com o diferente. Por volta dos quatro ou cinco anos, a maioria das crianças já demonstrou interesse por sexo em algum momento.
 
A curiosidade das crianças por todos os assuntos é natural. É dessa forma que elas aprendem e se desenvolvem. Se seu filho começa a fazer perguntas sobre sexo, não significa que ele sinta desejo, explica Marina Rocha, psicóloga e doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo.
 
"O que precisa ficar claro é que essa curiosidade não é um desejo sexual adulto, mas sim uma vontade de entender as diferenças entre o masculino e o feminino, de entender o desenvolvimento humano", comenta.
 
Geralmente, são situações corriqueiras que despertam o interesse das crianças. Ver uma mulher grávida na rua, uma entrada repentina no quarto dos pais num momento de maior intimidade e cenas explícitas na televisão, por exemplo.

Não demonstre constrangimento

 
 
A psicóloga Marina Rocha também ressalta a importância dos questionamentos dos filhos serem respondidos de prontidão pelos pais. Segundo ela, uma pergunta sobre sexo é o momento adequado para que o adulto investigue o que a criança tem ouvido falar sobre o tema, tentado saber o que o filho acha antes de responder.
 
E não adianta contar a história da cegonha, a melhor maneira de falar de sexo com os filhos é ser natural e honesto. "O adulto não deve ficar constrangido com a pergunta, ou responder de maneira evasiva, pois assim passará a mensagem de que a sexualidade é algo negativo ou proibido. Ele deve também evitar recriminar ou punir a criança, provocando um sentimento de culpa", adverte a psicóloga. A especialista acrescenta que fugir do tema é outra atitude a ser evitada, pois há o risco da criança ir buscar informações em outras fontes, o que nem sempre é o mais confiável ou indicado.
 
Mas, se uma criança começa a ficar insistentemente interessada por sexo a ponto desse assunto se tornar mais constante do que outros esperados para a sua idade, ou ainda se demonstrar comportamento sexualizado, imitando comportamentos sexuais adultos, ela pode estar sendo exposta a estímulos sexuais inapropriados para sua idade, completa a psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás.
 
"Expor a criança a situações de sexualidade explícita, superestimulá-las sexualmente, colocá-las em situações onde elas não têm condições de compreender a complexidade irá no mínimo gerar angústia", adverte a especialista.
 
Cuidado com a superexposição
 
A psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás explica que existem muitos adultos que incentivam e acham bonito quando seus filhos de quatro anos dizem que têm um namoradinho na escola sem se dar conta da exposição à qual estão submetendo as crianças.
 
Ela também comenta que hoje é natural que todos os membros da família vejam os mesmos programas na televisão, inclusive aqueles que exibem comportamentos sexualizados que não são adequados à faixa etária infantil. As consequências desta exposição podem ser as mais variadas, revela a psicóloga Marina Rocha.
 
"Desde as positivas, como um menor índice de gravidez precoce entre adolescentes bem informadas sobre sexo e contraceptivos, até, por outro lado, a exposição a atividades sexuais inadequadas para a faixa etária; a adoção de estereótipos de gêneros sexuais, como o de que o homem tem que ser machão e a mulher exibicionista, com corpo de modelo. Ou ainda a não distinção do público e do privado, já que tudo é exposto na mídia e nos sites de relacionamento", enumera a psicóloga.
 
O medo infantil também é uma situação difícil de ser encarada pelos pais.
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